A uva tem conquistado o paladar dos brasileiros

Uva que proporciona vinhos tintos de taninos suaves e sabores intensos. A Carménère é dona de uma história única e curiosa no universo da enologia. De origem francesa, ela foi considerada extinta por várias décadas até ser redescoberta no Chile. Tornando-se a uva símbolo da produção vinícola do país.

Na verdade, a Carménère não foi extinta, mas confundida por muito tempo como a uva Merlot devido às semelhanças entre suas características. Fruto do cruzamento entre a Cabernet Franc e a Gros Cabernet, ela surgiu em Bordeaux, na França. Mas foi considerada extinta no século 19 por causa da Crise da Filoxera, uma espécie de fungo que assolou o mundo do vinho.

No entanto, em 1994, o ampelógrafo Jean-Michel Boursiquot descobriu que parte dos parreirais de Merlot do Chile eram, na verdade, Carménère. A uva chegou ao país através de enólogos franceses por volta de 1850, uma década antes da Crise da Filoxera. As barreiras naturais do território chileno, como a Cordilheira dos Andes, o Deserto do Atacama e a Patagônia, impediram que as vinhas fossem atacadas pelo fungo. Por isso, a Carménère, hoje, pode ser considerada uma uva chilena.

Carménère

A Carménère pelo mundo

No Chile, o Valle Alto Maipo é a região de referência no cultivo da uva Carménère. Como Cachapoal, onde a cepa encontrou as condições ideais para o seu crescimento.

Apesar de estar diretamente associada ao Chile, a Carménère é cultivada em vários países atualmente. Com destaque para a Itália, que obteve até o reconhecimento de uma denominação de origem, em 2009, com a DOC Carménère Colli Breici, da província de Vicenza. Trata-se de uma certificação que atesta a qualidade diferenciada de uma área de vinha determinada dentro de um país.

Além de Chile e Itália, a Carménère é cultivada em menor escala nos Estados Unidos, no Brasil e na China. Seus vinhos têm conquistado paladares no mercado interno.

Harmonização

Os vinhos Carménère apresentam uma combinação de aromas de frutas pretas e vermelhas maduras, como a framboesa e a cereja azeda. Além de terra molhada e pimenta preta. Trata-se de vinhos tintos suaves ao paladar, com pouco tanino, baixa acidez e bastante álcool.

No geral, os Carménère são vinhos de baixa complexidade, mas, quando reservados em madeira, podem ganhar notas de café, cravo e tabaco. Alguns tipos mais complexos se beneficiam com o tempo, podendo ser guardados por até dez anos.

Os vinhos Carménère harmonizam bem com pratos grelhados ou defumados. Por exemplo, a carne vermelha de pouca gordura, suínos e aves, principalmente quando acompanhados de molhos com toques de ervas. Rótulos que foram armazenados em madeira combinam com delícias como a carne e o peru assados e o ratatouille. Já aqueles com maior acidez podem acompanhar peixes gordos como o salmão e o linguado. 

Uma dica de ouro: cuidado ao harmonizar os vinhos Carménère com pratos que levam molho de tomate, pois nem todos os rótulos têm acidez suficiente. Dê preferência às receitas em que o molho esteja incorporado, como nos ragus ou bolonhesa.

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*Curadoria de vinhos e harmonizações de Raquel Secco, Sommèliere Chefe do Grupo Mundial Mix. 

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