A impressionante Região dos Vinhos Verdes

No noroeste de Portugal, a região encanta por seus vinhos de qualidade

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Região representa 15% da área vitícola do país

Demarcada em 18 de setembro de 1908, a Região dos Vinhos Verdes é uma das localidades mais importantes da enologia de Portugal. Localizada no noroeste do país, em um lugar conhecido como Entre-Douro-e-Minho, o local é considerado a maior área portuguesa demarcada e uma das maiores da Europa, abrangendo uma impressionante extensão de terras que representam 15% da área vitícola do país.

Limitada pelo rio Minho ao norte, pelo rio Douro ao sul, pelas serras da Peneda, Gerês, Cabreira e Marão ao leste e pelo Oceano Atlântico ao oeste, a Região dos Vinhos Verdes possui uma localização privilegiada onde a influência do clima atlântico e do solo rico em minerais dá origem a vinhos de características únicas, famosos por sua leveza, frescor e acidez vibrante. Com predominância de castas autóctones, como Alvarinho, Loureiro, Arinto e Trajadura, esses vinhos revelam aromas florais, cítricos e frutados, que se traduzem em uma experiência gustativa única. E os números da região impressionam: são mais de 16 mil vinhedos manejados por 370 engarrafadores e 1400 marcas de vinho.

Reconhecida internacionalmente pela qualidade e singularidade de seus vinhos, a região do Vinho Verde possui grande importância econômica para Portugal, sendo um dos principais motores da economia local, contribuindo para a geração de empregos e para o desenvolvimento da região. Além disso, o Vinho Verde é um dos carros-chefe das exportações portuguesas, com grande destaque para o Brasil, que é um dos maiores importadores da bebida.

O Vinho Verde: leveza e frescor em cada gole

O Vinho Verde é um dos produtos de maior destaque entre as produções portuguesas. No entanto, a palavra “verde” no nome não se refere à sua coloração, mas sim à região onde são produzidos, já que a bebida pode ser produzida nas versões branco, rosé, tinto e até mesmo espumante.

Diferenciando-se de outras regiões vinícolas do mundo, o Vinho Verde é produzido por meio de uma técnica única de vinificação, onde as uvas são colhidas em estágio de maturação mais precoce, resultando em vinhos de baixo teor alcoólico e com uma vivacidade especial. A fermentação é geralmente realizada a temperaturas baixas para preservar ao máximo os aromas e características naturais das uvas.

Vinhos Verdes ou Vinho Verde?

Essa é uma questão que causa bastante confusão devido ao uso indiscriminado dos termos. Embora pareça ser uma diferença simples de plural e singular, na verdade, esses termos se referem a conceitos distintos: Vinhos Verdes refere-se à região demarcada conhecida como Região dos Vinhos Verdes; já Vinho Verde é a designação específica de um vinho que recebe a Denominação de Origem Controlada (DOC) Vinho Verde.

Vale lembrar que um Vinho Verde só recebe o selo de Denominação de Origem Vinho Verde ao seguir as normas estabelecidas pela legislação e diretrizes exigidas pela DOC – que não exige que a produção seja restrita apenas à Região dos Vinhos Verdes. A legislação permite a produção de vinhos brancos, rosés e tintos, sejam eles tranquilos ou espumantes. Os vinhos tranquilos devem ter um teor alcoólico entre 8,5% e 14%, enquanto os espumantes devem ter entre 10% e 15% de álcool. Já as castas utilizadas na produção desses vinhos devem ser exclusivamente autóctones da região, como Alvarinho, Arinto, Avesso, Loureiro, Azal, Batoca, Trajadura (brancas), Amaral, Alvarelhão Borraçal, Vinhão, Espadeiro e Padeiro (tintas e rosés).

Embora seja permitido criar vinhos varietais e blends, é importante mencionar que apenas os vinhos varietais de Alvarinho podem receber a certificação DOC Vinhos Verdes quando produzidos na sub-região de Monção e Melgaço. Os vinhos varietais de Alvarinho produzidos em outras sub-regiões recebem a certificação de Vinho Regional do Minho.

Portanto, diferenciar entre Vinhos Verdes (região) e Vinho Verde (DOC) é essencial para entendermos a origem e as características específicas desses vinhos. Cada um possui suas particularidades e história que merecem ser valorizadas e apreciadas por todos os amantes da enologia.

Sub-regiões da Região dos Vinhos Verdes

A Região Demarcada dos Vinhos Verdes é dividida em nove sub-regiões, cada uma com características específicas e castas de uva recomendadas. Em cada uma delas, é possível encontrar vinhos únicos que refletem a diversidade do terroir e a expertise dos produtores.

Essas sub-regiões incluem:
Monção e Melgaço – conhecida pela produção de vinhos Alvarinho de alta qualidade e intensidade aromática.
Lima – uma região com influência atlântica que resulta em vinhos frescos e elegantes.
Paiva – famosa pela produção de vinhos brancos leves e aromáticos.
Basto – destaca-se pela produção de vinhos tintos e rosés de caráter jovem.
Amarante – reconhecida pela produção de vinhos secos e suaves.
Ave – vinhos bem equilibrados e frescos.
Cávado – onde se encontram vinhos com uma boa expressão aromática e estrutura.
Baião – produz vinhos com acidez equilibrada e sabores frutados.
Sousa – destaca-se pela produção de vinhos leves e frescos.

No coração da Região dos Vinhos Verdes, encontramos um lugar especial que encanta os amantes do enoturismo e da cultura vinícola: a Agrela em Santo Tirso. Essa área de extrema beleza natural se destaca por sua paisagem bucólica e um clima ameno, perfeito para a cultura da vinha. Cercada de colinas ondulantes, vales férteis e riachos cristalinos, a região oferece um solo rico em minerais, além de uma exposição solar ideal para o amadurecimento das uvas.

Agrela é reverenciada pela sua contribuição na produção de Vinhos Verdes de alta qualidade. As vinhas, situadas em encostas que se voltam para o sol, são cultivadas de maneira artesanal e respeitosa com o meio ambiente. Aqui, predominam as castas autóctones, como Alvarinho, Loureiro e Arinto, que conferem aos vinhos uma personalidade única.

Ao explorar a região é impossível deixar de mencionar a renomada Vercoope, uma união de sete cooperativas vitivinícolas da região do Vinho Verde. Criada em 1964 para facilitar a comercialização da bebida, a entidade produz 8 milhões de garrafas de Vinho Verde por ano, sendo 30% para exportação. Entre os rótulos oferecidos, os vinhos da linha Pavão ganham destaque por contemplar uma ampla variedade de Vinho Verde, desde os elegantes brancos, até os refrescantes rosé e os mais encorpados tintos. Eles podem ser encontrados na Rede Imperatriz, assim como os rótulos das vinícolas Pena Vermelha e Porta 6.

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É importante destacar que muitas vinícolas da região oferecem programas de enoturismo, permitindo que os visitantes participem de vindimas, acompanhem a produção de vinhos e até mesmo façam suas próprias garrafas personalizadas. A imersão nesse universo vitivinícola é uma experiência única.

Enfim, deixe-se levar pelos encantos da Região do Vinho Verde. Os meses mais recomendados para visita são entre maio e junho e entre setembro e outubro, quando as temperaturas estão mais amenas. Com certeza, você vai voltar de lá um grande fã do país – e da região do Vinho Verde em particular.

* Curadoria de vinhos e harmonizações de Raquel Secco, Somméliere Chefe do Grupo Mundial Mix.

Crédito | Fotos Shutterstock

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