Um Brinde ao (e com) Espumante

Origens, técnicas de produção e variedades da bebida que é sinônimo de celebração

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Os espumantes conquistam cada vez mais espaço nas taças e corações dos apreciadores de vinhos

Seja para brindar um momento especial, celebrar uma conquista ou simplesmente desfrutar de um momento de prazer. Os espumantes conquistam cada vez mais espaço nas taças e corações dos apreciadores de vinhos. Com suas bolhas delicadas, aromas encantadores e sabor marcante, essa bebida efervescente tem o poder de transformar qualquer ocasião em uma verdadeira festa.

Originário da região de Champagne, na França, o espumante conquistou o mundo e ganhou o reconhecimento como uma das bebidas mais elegantes e festivas. No entanto, a sua história e evolução não se limitam apenas à França, já que outros países, como o Brasil, têm se destacado na produção de espumantes que surpreendem pela qualidade.

espumante

Champagne ou espumante?

Essa é uma dúvida clássica entre os amantes das borbulhas. Entender as diferenças entre espumantes e Champagnes passa por desvendar as origens e formas de produção dessas bebidas que são similares.  

Champagne

O Champagne se refere exclusivamente aos vinhos espumantes produzidos na região de Champagne, na França, por meio do método Champenoise. O Champagne clássico é feito da mistura de três uvas: Pinot Noir , Pinot Meunier e Chardonnay. Pelo hábito de se misturar vinhos de diferentes anos, é comum o Champagne não ter uma safra específica.

Curiosidade: a origem dessa bebida remete a Dom Pérignon, um monge e estudioso do vinho que descobriu como torná-lo efervescente.


Espumante

É chamado de Espumante todas as outras variedades de vinhos borbulhantes, produzidos em diferentes partes do mundo que não Champagne (França) e que podem ser feitos de várias uvas. Portanto, podemos dizer que o Champagne é um tipo de espumante, mas nem todo espumante é Champagne. 

Além da França, regiões da Espanha e Itália também são conhecidas pela produção de espumantes. O Brasil também é produtor de espumante, em vinícolas situadas, principalmente, na serra gaúcha. 

Espumante passo a passo

No geral, os espumantes precisam passar por duas etapas de fermentação. Entretanto, essas etapas podem ser conduzidas por métodos diferentes, o que irá impactar diretamente na valorização que o rótulo terá  no mercado. 

Tudo começa com a colheita da uva que, na sequência, passa por um processo de prensagem para a extração do mosto. Suco que será fermentado para virar vinho. O passo seguinte é levar o mosto para tanques, onde ocorre o primeiro processo de fermentação, que transforma os açúcares da bebida em álcool, produzindo o que se chama de vinho base.

A partir desse momento, a segunda fermentação pode ser feita de duas formas distintas:

Método Champenoise ou Clássico

É o método mais tradicional e complexo de produção de espumantes. Consiste em realizar a segunda fermentação na garrafa, em um processo onde o vinho base é engarrafado, contando com adição de açúcar e leveduras. Para produzir uma bebida mais requintada e com sabores mais complexos, algumas vinícolas misturam vinhos de outras safras. É na segunda fermentação que se produz o dióxido de carbono, responsável pela criação das famosas borbulhas do espumante. 

Durante esse processo, que pode durar de dois a seis meses, as leveduras viram sedimentos e formam resíduos dentro da garrafa. Por isso, ainda nessa etapa, é realizada a remuage, que é uma movimentação feita nas garrafas, que estão armazenadas na cave. Para que as leveduras se depositem na tampa de metal que, provisóriamente, fecha a bebida. Finalizada a remuage, é momento de fazer a degola, que é a remoção dos sedimentos de leveduras por meio da retirada da tampa de metal que será substituída pela rolha.

Se durante o processo de degola ocorrer perda de volume, a garrafa é completada com o licor de expedição, processo que também será determinante para definir o estilo e sabor daquele vinho. 

Pelo alto nível de complexidade e por contar com inúmeros processos artesanais e com um alto controle de qualidade, os espumantes derivados do Método Champenoise podem demorar de dois a seis anos para ficarem prontos. Além disso, o método produz bebidas mais nobres, com perlage (bolhas) mais saborosas e cremosas.

Método Charmat

Nesse processo, a segunda fermentação – feita a partir da adição de leveduras e açúcar à bebida base. Acontece em tanques de aço chamados de autoclaves. Eles são especialmente desenvolvidos para suportar a pressão provocada pela fermentação da bebida. Dependendo da vinícola, o tanque de autoclave pode ter capacidade de milhares de litros, garantindo uma produção em larga escala.

Além disso, a fermentação em tanques permite que o produtor tenha um maior controle sobre a produção do espumante. Pois ele consegue acompanhar melhor a temperatura e o processo de fermentação.

Após esse período, que pode levar de três a 12 meses, o espumante é filtrado para remoção de resíduos e, logo depois, engarrafado. Por ser um processo mais industrializado, a bebida feita por esse método costuma ter um valor mais acessível e, por isso, o consumo é maior. 

Níveis de doçura e harmonização 

Notar as diferenças entre os estilos de espumantes também é fundamental para garantir a melhor degustação da bebida. Entre os espumantes, essa variação vai desde os mais secos. Conhecidos como Brut (seco), Extra Brut (muito seco) e Seco (meio seco), até os mais doces como, Demi-Sec (doce) e Doux (muito doce).

De modo geral, a harmonização da bebida com a comida se dá pelo método com que o espumante foi produzido. Os champagnes harmonizam melhor com alimentos como peixes, frutos do mar e queijos suaves. Os espumantes secos da metodologia Charmat combinam bem com canapés e frutas. Já os espumantes doces vão muito bem com sobremesas. 

Clique aqui para conferir a seleção de espumantes do Imperatriz. 

*Curadoria de vinhos e harmonizações de Raquel Secco, Sommèliere Chefe do Grupo Mundial Mix.
Crédito | Foto Shutterstock

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